sábado, 24 de abril de 2010

07

Sua voz doce me chamando ainda ecoa pela casa. A batida do seu coração ainda está cravada nas minhas costas. sua respiração ofegante ainda é audível, mesmo com toda a distância. Você deve estar em algum lugar da Grande Metrópole a essa hora Talvez cansado para pensar, talvez cansando de pensar, ou só cansado. Você vai continuar vendo os mendigos como pessoas amáveis, ajudando um idoso na rua, vai sempre estar sendo o anjo para alguém.
Seu sorriso ainda está ao alcance da minha visão e seu abraço ainda me sufoca de amor e carinho.
Seus lábios tímidos e, quase imóveis, continuarão puros depois de me beijar. Aqui, eu vou continuar entoando "califórnia" e sentindo falta do seu tom. Procurando você pra oferecer um trago do nosso cigarro, de longe, vou continuar sendo seu maior amante.
Sua música doce e singular ainda toca pela casa, e a ausência preenche minha casa de sua lembrança. As suas mãos, ainda,vão estar presas às minhas.
Mas, ainda que longe, vamos continuar cantando mais um copo de você e embriagando-nos de nós mesmos. Vajando pelo mundo sem sair de casa
E você deve mesmo estar pensando, agora nessa Grande Metrópole. Nós estamos longe, mas estamos juntos, afastados, e não, separados. Mas com um quinto de nós.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

06

"Desde que eu possa acordar no meio da noite e te levar um copo com água e você volte a sonhar profundamente, como um anjo,e ao acordar, quero te servir uma bandeja com pães e café-com-leite, te colocar de pé e ouvir a água do chuveiro jorrar sobre a sua pele de algodão. Quero te ver sair pela porta, segurando uma toalha enxugando seu corpo, que é meu também. Quero falar besteiras ao pé do seu ouvido e discutir filosofia e poesia. Quero ver os seus lábios grandes se abrirem e você sorrir".

05

Um corpo com duas cabeças
Dois tragos e estamos moles
Três semanas de porre
Quatro posições às avessas

Toquei violão e você ritmou
Dancei e você a me olhar
Sangrei vinho e você não bebeu

Meus erros pra você são crimes
Seus crimes pra você acertos
Meus olhos não vêem como os seus vêem
Seus braços não abraçam os meus.

há abraços

terça-feira, 10 de novembro de 2009

04

Estragando meu corpo com drogas fracas, ensaiando suicídio por motivos pequenos e procurando o sentido em ideias sem nexos. Criando doenças com dores que não doem e falando pouco sobre o que muito sei, querendo dizer muito sobre o que não posso saber. Assim, vivendo uma morte numa vida pouco vivida. Procuro amores onde não se pode amar e morrendo, aos poucos, de metade em metade. Fecho e abro feridas, simulando sentir para ver até onde aguento.