terça-feira, 1 de março de 2011

16

Então, destino. Fico no aguardo pelo próximo capítulo, mas agora me responde: quando é que isso chega ao fim? É só para saber mesmo, sabe? Esse lance de perdas e ganhos, mexe com meu psicológico; eu não gosto que ninguém saiba minhas fraquezas, só você mesmo. Sabe bem que tenho medo de ganhar tanto quanto de perder, torna-se às vezes uma missão quase impossível e cansativa. Sinto que de vez em quando eu acabo desistindo de algumas pessoas ou coisas pelo caminho. Vida, não me julgue, foi você quem me fez assim. Não prometo ser forte, mas não mostrar o quão frágil sou; metido nesse mundo de antíteses sem valores nenhum, em que pessoas sem preparação nenhuma se julgam juízes do bom e do belo, do justo e do injusto, daí a ironia da vida, não é? Quem inventou o julgamento de certo se matou logo depois para não ser julgado.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

15

Não é poema, não é conto, romance ou crônica; é a tal da vida, uma história fragmentada em acontecimentos pequenos que se prolongam ou grandes que duram pouco e podem ser intensos ou não. Massa da sociedade feita com duas pitadas de culpa, nove de paciência, dezoito minutos para crescer e colocada pra assar por tempo indeterminado no fogo do livre arbítrio, da consciência, da coletividade e competição até ser consumida por completo; parece simples, mas não é. Estou no forno; tenho aqui comigo um cigarro, um copo de água, alguns livros de teoria e um filme brasileiro passando. Parece que nada está ornando; o cigarro está com preguiça de queimar, como estou com preguiça de pensar, deve ser o barulho de chuva, do copo de água, que está caindo da nuvem que está sobre minha cabeça, já há algum tempo,  molha os livros de teoria, que me dão toda a teoria em que a prática não entra, e talvez até ela não adiante. Já é tarde. A madrugada é a prostituta mais sábia. Nos acolhe quando queremos e nem pestaneja quando passamos longe dela, comigo ela tem sido tão amável a ponto de me fazer brigar com os dias para noites inteiras ao seu lado. Sem ou com orgasmos ela não se apega. Nela, tudo e nada acontecem, de um buraco negro ao olho do furacão. O sentimento de que se pode mover tudo mesmo que deitado em uma cama, ou a impotência de se dar conta que tudo isso é apenas um simples devaneio. Ah, outro sentimento, quantos deles... Brinco de contá-los e de sentí-los, para que servem, de onde vieram? Ando consumido; brincando de ser humano, na madrugada que trai e me faz ser o que não posso; que é sábia mas é prostituta, não se pode confiar nela; ela pode me ter,  nela eu não posso meter.

sábado, 7 de agosto de 2010

14

O suor que brota da pele que rela, repele
pela tanto e cala na calada do dia, disfarça
o sorriso que exala escárnio, mostra
de mostra, demonstra quando não há, ah...
o segredo que está na omissão, mentira

me tira, tira de todo, um quase louco, tiro
me segue, segurando, soltando, me sangra
angra cercada de aragem de praia, areia
agua seca e pega na mão e terra, parece

par esse tão ímpar, tão... só e são, em par
permeia o sangue que reluta estancar
e, assim, (ex)vão par s-em ar


Gabriel Teodoro 
Júlia de Mello 


Júlia Teodoro

Gabriel de Mello

quarta-feira, 28 de julho de 2010

13

Sei que você não vai querer ler isso, mas vai acabar lendo. Sei também que você vai ficar bravo comigo; mas sei que você precisa saber de tudo. Eu vou embora, meu amor, eu vou te deixar e é porque eu quis. É porque eu sou egoísta e é porque eu preciso ter outros amores.
Estou partindo amanhã ou depois. Sei que vou e não sei quando volto; mas, querido, preste atenção: você não foi em vão! você foi aprendizado, vivência e bem-querer durante todo o tempo que passamos juntos. No juízo final que diferença farão nossas míseras horas juntos frente as outras horas com meus amores proibidos? Um dia tudo se iguala, mas enquanto isso não acontece eu continuo pensando em você como minha maior paixão "temporinha." E quando você estiver olhando pro horizonte e me ver sumindo, sumindo e quase dando a volta no nosso mundo, pense que eu estarei lembrando, relembrando e revivendo, em minha lembrança, os mesmos olhares, gestos e beijos. Noventa anos passarão e seus beijos não.
E chego ao fim dessa minha retratação, parecendo um canalha, mas no fundo sou humano, amor. Humano que carrega aquele gostinho de satisfação, de missão cumprida, de página virada. E isso pode tanto significar o fim, mas também um começo. A vida é muito cruel, meu anjo, se você não ver um lado bom pra cada rasteira que ela nos dá, morrerá de depressão e não fará ninguém feliz.
você não é a primeira que deixo, pelas circunstâncias da vida, e não vai ser a última. Pode não parecer, mas as cosas pra mim são mais difíceis, eu sou muito frágil, muito sensível, logo, teorizo tudo e, ao ganhar uma pessoa, já vou pensando em um jeito de perdê-la ou deixá-la. Vou sofrendo aos pouquinhos porque acho melhor a sofrer tudo quando você virar as costas e for embora. Ainda vai doer mais do que agora, mas menos que depois de um dia, dois, três e assim por diante.