quarta-feira, 30 de junho de 2010

11

Ela passa na praça que olha por ela
Caminha serena na praça, a pequena
O sorvete que leva derrete-se ao sol
que queima sua pele e se derrete em sal

Ela olha pra praça com os olhos nela
O batom se apaga e atenua o tom
do vermelho do pano vestindo, a pequena
Sua alma é quente e sua pele morena

O padre passando pregando então peca
O marido fiel barganhando despenca
A beata, que santa não é, de inveja se aperta
aos sete ventos abomina e com a alma admira

O sol que a ilumina queima suas melenas
O sorvete que derrete é o leite das crianças
O pano que veste sua pele é chita, apenas
E o olhar brilhando ao futuro, de esperança

Os ventos que batem não atingem lucena
A morena que bate no vento se vai
É mãe mulher é fera é Helena
Segue vendendo sorvete, a pequena

quinta-feira, 24 de junho de 2010

10

Para uma lágrima, o amanhã
Para o amanhã, um beijo
Para um beijo, um dia
Para um dia, um abraço
Para o abraço, o adeus
Para o adeus, o ontem
Para o ontem, felicidade
Para felicidade, tristeza
Para tristeza, uma marca
Para uma marca, uma história
Para uma história, um fim
Para um fim, uma música
Para a música, uma lembrança
Para a lembrança, um tempo
Para um tempo, um futuro
Para o futuro, uma icerteza
Para a incerteza, um risco
Para um risco, um acerto
Para o acerto, um erro
Para um erro, um recomeço
Para o recomeço, uma lágrima
Para a lágrima...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

09

Queria eu ter a inocência de uma criança que vê em tudo a novidade. A sabedoria de um ancião para não me sentir sem esperanças diante do caos. Vezenquando um adolescente rebelde sem causa que procura diversão em perigo. Quem sabe um adulto pacato que pagante de impostos e pedante com uma família linda e crédito na praça. Ah, e então, um fanfarrão que não se lembra do nome de quem acabou de sair de meu quarto. Queria tanto! Como queria, talvez, ser eu mesmo e não querer fugir de mim".

segunda-feira, 3 de maio de 2010

08

Bêbado vagabundo
Onde estás agora
Nos braços que esteve ontem
Onde acoitarás amanhã
Nunca atenuarão suas dores
Nem serão seus amores

Andas por aí bacanal
Banalizando o amor
Com o toque carnal
Fodendo sem pudor
Mas o que sente é dor

Que queres de mim
Não sei assim lidar
Um conto sem fim
Não presta contar
Tente só imaginar

Sinto-me um cigarro
Traga-me seu trasgo
Outra vez pode ser
É o destino talvez
Essa cena outra vez

Só mais um trago
Só mais uma vez
Da próxima eu paro
Me apago e vou
Te esqueço, forçado!




(Luiza Amaral)