segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Nego atrevido

Não me atrevo a me negar e a me omitir e a me esquecer

e me atrevo a me atrever e me prender me desprender mesmo perdendo


não me nego a ser nêgo e a negar a quem me nega

E me nego a negar que sou nêgo e que nego até não negando


não me venha atrevido me negando me omitindo

e dizendo o que dirá e não diz que eu to sabendo



tá, eu sei



eu me omito a te esquecer e atrevo a te querer e te nego te perdendo

Mas me diz que ta sabendo e não me negue e me prenda e não me esqueça

que eu sou nêgo atrevido e digo e nego e sei e lhe digo: não te quero!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

20

Eu sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que bebeu água de mina
que banharam no rio-beirão
Que vive, sente e chora diferente

E as flores que geraram os frutos
Tropeiros e donas de casa
Tomadores de cachaça
Cantadores de causos

Gente humilde, forte sangue quente
De sol, de rio, de minas
Sangue quente, jovem
Sangue sábio, velho

Eu não sou nada disso
Não nasci no ribeirão
Nem banho no mesmo rio
Nem tomo da mesma água

Não acredito em saci, não vi o diabo
Não viajo a cavalo, nem vi os escravos
Eu vejo o show da vida na tevê
Eu sofro e choro de medo de Etê.

E, ainda sim

Sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que fazia novena
que acreditavam em milagres
maiores do que a luz elétrica
melhores do que o petróleo

Ô, meu Deus, faz voltar
Preu poder ouvir, dos cabelos brancos
A literatura das viagens
O belo colo da Vó Bela
O coisa e tar do Juvenar

Eu sou fruto dos frutos das Minas gerais

terça-feira, 1 de março de 2011

17

E os meus olhos, secos sem lágrimas restantes e, sem ao menos terem marejado. Eles ardem pelo cansaço de terem visto tantas realidades irreais. Rodando o mundo sem se moverem, sem me moverem. Eles já fizeram e disseram, por mim, fatos jamais antes mencionados e almejados. Fico eu, acuado, na pequenês do meu corpo. Me esquivando com certa mesquinhez, da realidade, que me diz bom dia. Prefiro a imaginação. - a realidade é boa - tanto que volta. Todos os dias; o pensamento é egoísta, uno e fulgás, como só. Mas ainda sim, preferi-lo-ei, sempre. Sempre!

16

Então, destino. Fico no aguardo pelo próximo capítulo, mas agora me responde: quando é que isso chega ao fim? É só para saber mesmo, sabe? Esse lance de perdas e ganhos, mexe com meu psicológico; eu não gosto que ninguém saiba minhas fraquezas, só você mesmo. Sabe bem que tenho medo de ganhar tanto quanto de perder, torna-se às vezes uma missão quase impossível e cansativa. Sinto que de vez em quando eu acabo desistindo de algumas pessoas ou coisas pelo caminho. Vida, não me julgue, foi você quem me fez assim. Não prometo ser forte, mas não mostrar o quão frágil sou; metido nesse mundo de antíteses sem valores nenhum, em que pessoas sem preparação nenhuma se julgam juízes do bom e do belo, do justo e do injusto, daí a ironia da vida, não é? Quem inventou o julgamento de certo se matou logo depois para não ser julgado.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.