Eu sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que bebeu água de mina
que banharam no rio-beirão
Que vive, sente e chora diferente
E as flores que geraram os frutos
Tropeiros e donas de casa
Tomadores de cachaça
Cantadores de causos
Gente humilde, forte sangue quente
De sol, de rio, de minas
Sangue quente, jovem
Sangue sábio, velho
Eu não sou nada disso
Não nasci no ribeirão
Nem banho no mesmo rio
Nem tomo da mesma água
Não acredito em saci, não vi o diabo
Não viajo a cavalo, nem vi os escravos
Eu vejo o show da vida na tevê
Eu sofro e choro de medo de Etê.
E, ainda sim
Sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que fazia novena
que acreditavam em milagres
maiores do que a luz elétrica
melhores do que o petróleo
Ô, meu Deus, faz voltar
Preu poder ouvir, dos cabelos brancos
A literatura das viagens
O belo colo da Vó Bela
O coisa e tar do Juvenar
Eu sou fruto dos frutos das Minas gerais
segunda-feira, 9 de maio de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
17
E os meus olhos, secos sem lágrimas restantes e, sem ao menos terem marejado. Eles ardem pelo cansaço de terem visto tantas realidades irreais. Rodando o mundo sem se moverem, sem me moverem. Eles já fizeram e disseram, por mim, fatos jamais antes mencionados e almejados. Fico eu, acuado, na pequenês do meu corpo. Me esquivando com certa mesquinhez, da realidade, que me diz bom dia. Prefiro a imaginação. - a realidade é boa - tanto que volta. Todos os dias; o pensamento é egoísta, uno e fulgás, como só. Mas ainda sim, preferi-lo-ei, sempre. Sempre!
16
Então, destino. Fico no aguardo pelo próximo capítulo, mas agora me responde: quando é que isso chega ao fim? É só para saber mesmo, sabe? Esse lance de perdas e ganhos, mexe com meu psicológico; eu não gosto que ninguém saiba minhas fraquezas, só você mesmo. Sabe bem que tenho medo de ganhar tanto quanto de perder, torna-se às vezes uma missão quase impossível e cansativa. Sinto que de vez em quando eu acabo desistindo de algumas pessoas ou coisas pelo caminho. Vida, não me julgue, foi você quem me fez assim. Não prometo ser forte, mas não mostrar o quão frágil sou; metido nesse mundo de antíteses sem valores nenhum, em que pessoas sem preparação nenhuma se julgam juízes do bom e do belo, do justo e do injusto, daí a ironia da vida, não é? Quem inventou o julgamento de certo se matou logo depois para não ser julgado.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
15
Não é poema, não é conto, romance ou crônica; é a tal da vida, uma história fragmentada em acontecimentos pequenos que se prolongam ou grandes que duram pouco e podem ser intensos ou não. Massa da sociedade feita com duas pitadas de culpa, nove de paciência, dezoito minutos para crescer e colocada pra assar por tempo indeterminado no fogo do livre arbítrio, da consciência, da coletividade e competição até ser consumida por completo; parece simples, mas não é. Estou no forno; tenho aqui comigo um cigarro, um copo de água, alguns livros de teoria e um filme brasileiro passando. Parece que nada está ornando; o cigarro está com preguiça de queimar, como estou com preguiça de pensar, deve ser o barulho de chuva, do copo de água, que está caindo da nuvem que está sobre minha cabeça, já há algum tempo, molha os livros de teoria, que me dão toda a teoria em que a prática não entra, e talvez até ela não adiante. Já é tarde. A madrugada é a prostituta mais sábia. Nos acolhe quando queremos e nem pestaneja quando passamos longe dela, comigo ela tem sido tão amável a ponto de me fazer brigar com os dias para noites inteiras ao seu lado. Sem ou com orgasmos ela não se apega. Nela, tudo e nada acontecem, de um buraco negro ao olho do furacão. O sentimento de que se pode mover tudo mesmo que deitado em uma cama, ou a impotência de se dar conta que tudo isso é apenas um simples devaneio. Ah, outro sentimento, quantos deles... Brinco de contá-los e de sentí-los, para que servem, de onde vieram? Ando consumido; brincando de ser humano, na madrugada que trai e me faz ser o que não posso; que é sábia mas é prostituta, não se pode confiar nela; ela pode me ter, nela eu não posso meter.
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