quinta-feira, 29 de novembro de 2012
O primo que não era o Basílio.
Tinha só seis anos quando foi brincar lá fora.
De tanto brincar lá fora ficou adulto antes da hora.
Adultou-se.
Adulterou-se.
Se deixou adulterar.
Culpou-se.
Inocentou-se.
Se deixou de culpar.
Me perdi
Não sabia mais quem era
Se era ele, era ela
Que era ele, sabia
Mas lá fora era ela
Deitado era ela.
De bruços era ela
E assim foi, desde o dia que foi brincar lá fora
Do que pensei
Queima o bêbado vagabundo. Anda por aí bacanal. Profana até o amor carnal. Fode sem pudor para curar sua mágoa. Pedro, Felipe, Jorge. Gozou! Gozaram! Este é um conto, curto e sem fim, que não presta contar. Um copo, dois corpos, três porcos. Um menage. No próximo ele acerta. No próximo ele paga. Um dia ele apaga. Um dia o conto acaba.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
20
Seis boas-noites, cinco bons-dias, boas trepadas.
Cento e vinte posições, carinho no cabelo, pelos.
Três bons anos, dois dias ruins, gemido forte.
Cento e vinte ligações, chamadas rejeitadas, apelos.
Cento e vinte promessas, mentiras contidas, gozadas.
Cento e vinte opções, duas histórias, duas cores.
Cinco mil e quarenta planos, carinho no cabelo, tesão.
Três boas horas,cigarros queimados, duas garrafas, sexo.
Cinco mil e quatrocentos sonhos, raiva contida, desejo.
Cinco mil e quarenta opções, dois tons, corpos no chão.
Cinco mil e quarenta horas, sem carinho, só um cigarro, amor.
Cento e vinte posições, carinho no cabelo, pelos.
Três bons anos, dois dias ruins, gemido forte.
Cento e vinte ligações, chamadas rejeitadas, apelos.
Cento e vinte promessas, mentiras contidas, gozadas.
Cento e vinte opções, duas histórias, duas cores.
Cinco mil e quarenta planos, carinho no cabelo, tesão.
Três boas horas,cigarros queimados, duas garrafas, sexo.
Cinco mil e quatrocentos sonhos, raiva contida, desejo.
Cinco mil e quarenta opções, dois tons, corpos no chão.
Cinco mil e quarenta horas, sem carinho, só um cigarro, amor.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Nego atrevido
Não me atrevo a me negar e a me omitir e a me esquecer
e me atrevo a me atrever e me prender me desprender mesmo perdendo
não me nego a ser nêgo e a negar a quem me nega
E me nego a negar que sou nêgo e que nego até não negando
não me venha atrevido me negando me omitindo
e dizendo o que dirá e não diz que eu to sabendo
tá, eu sei
eu me omito a te esquecer e atrevo a te querer e te nego te perdendo
Mas me diz que ta sabendo e não me negue e me prenda e não me esqueça
que eu sou nêgo atrevido e digo e nego e sei e lhe digo: não te quero!
e me atrevo a me atrever e me prender me desprender mesmo perdendo
não me nego a ser nêgo e a negar a quem me nega
E me nego a negar que sou nêgo e que nego até não negando
não me venha atrevido me negando me omitindo
e dizendo o que dirá e não diz que eu to sabendo
tá, eu sei
eu me omito a te esquecer e atrevo a te querer e te nego te perdendo
Mas me diz que ta sabendo e não me negue e me prenda e não me esqueça
que eu sou nêgo atrevido e digo e nego e sei e lhe digo: não te quero!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
20
Eu sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que bebeu água de mina
que banharam no rio-beirão
Que vive, sente e chora diferente
E as flores que geraram os frutos
Tropeiros e donas de casa
Tomadores de cachaça
Cantadores de causos
Gente humilde, forte sangue quente
De sol, de rio, de minas
Sangue quente, jovem
Sangue sábio, velho
Eu não sou nada disso
Não nasci no ribeirão
Nem banho no mesmo rio
Nem tomo da mesma água
Não acredito em saci, não vi o diabo
Não viajo a cavalo, nem vi os escravos
Eu vejo o show da vida na tevê
Eu sofro e choro de medo de Etê.
E, ainda sim
Sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que fazia novena
que acreditavam em milagres
maiores do que a luz elétrica
melhores do que o petróleo
Ô, meu Deus, faz voltar
Preu poder ouvir, dos cabelos brancos
A literatura das viagens
O belo colo da Vó Bela
O coisa e tar do Juvenar
Eu sou fruto dos frutos das Minas gerais
de gente que bebeu água de mina
que banharam no rio-beirão
Que vive, sente e chora diferente
E as flores que geraram os frutos
Tropeiros e donas de casa
Tomadores de cachaça
Cantadores de causos
Gente humilde, forte sangue quente
De sol, de rio, de minas
Sangue quente, jovem
Sangue sábio, velho
Eu não sou nada disso
Não nasci no ribeirão
Nem banho no mesmo rio
Nem tomo da mesma água
Não acredito em saci, não vi o diabo
Não viajo a cavalo, nem vi os escravos
Eu vejo o show da vida na tevê
Eu sofro e choro de medo de Etê.
E, ainda sim
Sou fruto dos frutos da terra vermelha
de gente que fazia novena
que acreditavam em milagres
maiores do que a luz elétrica
melhores do que o petróleo
Ô, meu Deus, faz voltar
Preu poder ouvir, dos cabelos brancos
A literatura das viagens
O belo colo da Vó Bela
O coisa e tar do Juvenar
Eu sou fruto dos frutos das Minas gerais
terça-feira, 1 de março de 2011
17
E os meus olhos, secos sem lágrimas restantes e, sem ao menos terem marejado. Eles ardem pelo cansaço de terem visto tantas realidades irreais. Rodando o mundo sem se moverem, sem me moverem. Eles já fizeram e disseram, por mim, fatos jamais antes mencionados e almejados. Fico eu, acuado, na pequenês do meu corpo. Me esquivando com certa mesquinhez, da realidade, que me diz bom dia. Prefiro a imaginação. - a realidade é boa - tanto que volta. Todos os dias; o pensamento é egoísta, uno e fulgás, como só. Mas ainda sim, preferi-lo-ei, sempre. Sempre!
16
Então, destino. Fico no aguardo pelo próximo capítulo, mas agora me responde: quando é que isso chega ao fim? É só para saber mesmo, sabe? Esse lance de perdas e ganhos, mexe com meu psicológico; eu não gosto que ninguém saiba minhas fraquezas, só você mesmo. Sabe bem que tenho medo de ganhar tanto quanto de perder, torna-se às vezes uma missão quase impossível e cansativa. Sinto que de vez em quando eu acabo desistindo de algumas pessoas ou coisas pelo caminho. Vida, não me julgue, foi você quem me fez assim. Não prometo ser forte, mas não mostrar o quão frágil sou; metido nesse mundo de antíteses sem valores nenhum, em que pessoas sem preparação nenhuma se julgam juízes do bom e do belo, do justo e do injusto, daí a ironia da vida, não é? Quem inventou o julgamento de certo se matou logo depois para não ser julgado.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.
Queria estar sozinho pelo menos uma vez, este diálogo com a vida e destino me cansam; não que eu esteja incomodado, uma vez até tentei chegar até o silêncio, mas este estava constantemente com sua voz, tênue, dizendo para eu ter calma e ouvir mais. Ouvir, eu estava ouvindo, mas me calar? Sem exemplo não se tem prática. Se o silêncio não se cala, quem sou eu para fazê-lo? E o paradoxo continua.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
15
Não é poema, não é conto, romance ou crônica; é a tal da vida, uma história fragmentada em acontecimentos pequenos que se prolongam ou grandes que duram pouco e podem ser intensos ou não. Massa da sociedade feita com duas pitadas de culpa, nove de paciência, dezoito minutos para crescer e colocada pra assar por tempo indeterminado no fogo do livre arbítrio, da consciência, da coletividade e competição até ser consumida por completo; parece simples, mas não é. Estou no forno; tenho aqui comigo um cigarro, um copo de água, alguns livros de teoria e um filme brasileiro passando. Parece que nada está ornando; o cigarro está com preguiça de queimar, como estou com preguiça de pensar, deve ser o barulho de chuva, do copo de água, que está caindo da nuvem que está sobre minha cabeça, já há algum tempo, molha os livros de teoria, que me dão toda a teoria em que a prática não entra, e talvez até ela não adiante. Já é tarde. A madrugada é a prostituta mais sábia. Nos acolhe quando queremos e nem pestaneja quando passamos longe dela, comigo ela tem sido tão amável a ponto de me fazer brigar com os dias para noites inteiras ao seu lado. Sem ou com orgasmos ela não se apega. Nela, tudo e nada acontecem, de um buraco negro ao olho do furacão. O sentimento de que se pode mover tudo mesmo que deitado em uma cama, ou a impotência de se dar conta que tudo isso é apenas um simples devaneio. Ah, outro sentimento, quantos deles... Brinco de contá-los e de sentí-los, para que servem, de onde vieram? Ando consumido; brincando de ser humano, na madrugada que trai e me faz ser o que não posso; que é sábia mas é prostituta, não se pode confiar nela; ela pode me ter, nela eu não posso meter.
sábado, 7 de agosto de 2010
14
O suor que brota da pele que rela, repele
pela tanto e cala na calada do dia, disfarça
o sorriso que exala escárnio, mostra
de mostra, demonstra quando não há, ah...
o segredo que está na omissão, mentira
me tira, tira de todo, um quase louco, tiro
me segue, segurando, soltando, me sangra
angra cercada de aragem de praia, areia
agua seca e pega na mão e terra, parece
par esse tão ímpar, tão... só e são, em par
permeia o sangue que reluta estancar
e, assim, (ex)vão par s-em ar
Gabriel Teodoro
Júlia de Mello
Júlia Teodoro
Gabriel de Mello
pela tanto e cala na calada do dia, disfarça
o sorriso que exala escárnio, mostra
de mostra, demonstra quando não há, ah...
o segredo que está na omissão, mentira
me tira, tira de todo, um quase louco, tiro
me segue, segurando, soltando, me sangra
angra cercada de aragem de praia, areia
agua seca e pega na mão e terra, parece
par esse tão ímpar, tão... só e são, em par
permeia o sangue que reluta estancar
e, assim, (ex)vão par s-em ar
Gabriel Teodoro
Júlia de Mello
Júlia Teodoro
Gabriel de Mello
quarta-feira, 28 de julho de 2010
13
Sei que você não vai querer ler isso, mas vai acabar lendo. Sei também que você vai ficar bravo comigo; mas sei que você precisa saber de tudo. Eu vou embora, meu amor, eu vou te deixar e é porque eu quis. É porque eu sou egoísta e é porque eu preciso ter outros amores.
Estou partindo amanhã ou depois. Sei que vou e não sei quando volto; mas, querido, preste atenção: você não foi em vão! você foi aprendizado, vivência e bem-querer durante todo o tempo que passamos juntos. No juízo final que diferença farão nossas míseras horas juntos frente as outras horas com meus amores proibidos? Um dia tudo se iguala, mas enquanto isso não acontece eu continuo pensando em você como minha maior paixão "temporinha." E quando você estiver olhando pro horizonte e me ver sumindo, sumindo e quase dando a volta no nosso mundo, pense que eu estarei lembrando, relembrando e revivendo, em minha lembrança, os mesmos olhares, gestos e beijos. Noventa anos passarão e seus beijos não.
E chego ao fim dessa minha retratação, parecendo um canalha, mas no fundo sou humano, amor. Humano que carrega aquele gostinho de satisfação, de missão cumprida, de página virada. E isso pode tanto significar o fim, mas também um começo. A vida é muito cruel, meu anjo, se você não ver um lado bom pra cada rasteira que ela nos dá, morrerá de depressão e não fará ninguém feliz.
você não é a primeira que deixo, pelas circunstâncias da vida, e não vai ser a última. Pode não parecer, mas as cosas pra mim são mais difíceis, eu sou muito frágil, muito sensível, logo, teorizo tudo e, ao ganhar uma pessoa, já vou pensando em um jeito de perdê-la ou deixá-la. Vou sofrendo aos pouquinhos porque acho melhor a sofrer tudo quando você virar as costas e for embora. Ainda vai doer mais do que agora, mas menos que depois de um dia, dois, três e assim por diante.
Estou partindo amanhã ou depois. Sei que vou e não sei quando volto; mas, querido, preste atenção: você não foi em vão! você foi aprendizado, vivência e bem-querer durante todo o tempo que passamos juntos. No juízo final que diferença farão nossas míseras horas juntos frente as outras horas com meus amores proibidos? Um dia tudo se iguala, mas enquanto isso não acontece eu continuo pensando em você como minha maior paixão "temporinha." E quando você estiver olhando pro horizonte e me ver sumindo, sumindo e quase dando a volta no nosso mundo, pense que eu estarei lembrando, relembrando e revivendo, em minha lembrança, os mesmos olhares, gestos e beijos. Noventa anos passarão e seus beijos não.
E chego ao fim dessa minha retratação, parecendo um canalha, mas no fundo sou humano, amor. Humano que carrega aquele gostinho de satisfação, de missão cumprida, de página virada. E isso pode tanto significar o fim, mas também um começo. A vida é muito cruel, meu anjo, se você não ver um lado bom pra cada rasteira que ela nos dá, morrerá de depressão e não fará ninguém feliz.
você não é a primeira que deixo, pelas circunstâncias da vida, e não vai ser a última. Pode não parecer, mas as cosas pra mim são mais difíceis, eu sou muito frágil, muito sensível, logo, teorizo tudo e, ao ganhar uma pessoa, já vou pensando em um jeito de perdê-la ou deixá-la. Vou sofrendo aos pouquinhos porque acho melhor a sofrer tudo quando você virar as costas e for embora. Ainda vai doer mais do que agora, mas menos que depois de um dia, dois, três e assim por diante.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
12
Na esperança de dias melhores partiu meu amor
O pássaro grande que carrega gente, o levou
O futuro brilhante que espero de ti, meu amor
pode chegar por sedex, buscá-lo eu vou!
Um ano já se passou e meu coração se esvaiu em dor
Secaram as folhas verdes do chapéu que você levou
Secaram até as lágrimas derramadas por ti, meu amor
O futuro brilhante que esperei de ti jamais chegou
Quero que entenda minha posição, meu senhor
Quero que me entenda bem e explicar-lhe, eu vou
Como pode, eu, senhora casada precisada de amor
Que não chegue a pensar que seu amor por mim se acabou?
Evitando sofrer e de amor até morrer
Minha mão ao seu irmão eu tive que ceder
Uma vontade, um beijo, um desejo. Eu dei!
Me perdoe amor, se me apaixonei eu já não sei
Mas quero que saiba e entenda, ó meu bem
Que há até males que vem para um bem
Te escrevo com amor no coração: dinheiro a gente já tem
O brilhante que você me prometeu já pode ser dado a outro alguém.
O pássaro grande que carrega gente, o levou
O futuro brilhante que espero de ti, meu amor
pode chegar por sedex, buscá-lo eu vou!
Um ano já se passou e meu coração se esvaiu em dor
Secaram as folhas verdes do chapéu que você levou
Secaram até as lágrimas derramadas por ti, meu amor
O futuro brilhante que esperei de ti jamais chegou
Quero que entenda minha posição, meu senhor
Quero que me entenda bem e explicar-lhe, eu vou
Como pode, eu, senhora casada precisada de amor
Que não chegue a pensar que seu amor por mim se acabou?
Evitando sofrer e de amor até morrer
Minha mão ao seu irmão eu tive que ceder
Uma vontade, um beijo, um desejo. Eu dei!
Me perdoe amor, se me apaixonei eu já não sei
Mas quero que saiba e entenda, ó meu bem
Que há até males que vem para um bem
Te escrevo com amor no coração: dinheiro a gente já tem
O brilhante que você me prometeu já pode ser dado a outro alguém.
11
Ela passa na praça que olha por ela
Caminha serena na praça, a pequena
O sorvete que leva derrete-se ao sol
que queima sua pele e se derrete em sal
Ela olha pra praça com os olhos nela
O batom se apaga e atenua o tom
do vermelho do pano vestindo, a pequena
Sua alma é quente e sua pele morena
O padre passando pregando então peca
O marido fiel barganhando despenca
A beata, que santa não é, de inveja se aperta
aos sete ventos abomina e com a alma admira
O sol que a ilumina queima suas melenas
O sorvete que derrete é o leite das crianças
O pano que veste sua pele é chita, apenas
E o olhar brilhando ao futuro, de esperança
Os ventos que batem não atingem lucena
A morena que bate no vento se vai
É mãe mulher é fera é Helena
Segue vendendo sorvete, a pequena
Caminha serena na praça, a pequena
O sorvete que leva derrete-se ao sol
que queima sua pele e se derrete em sal
Ela olha pra praça com os olhos nela
O batom se apaga e atenua o tom
do vermelho do pano vestindo, a pequena
Sua alma é quente e sua pele morena
O padre passando pregando então peca
O marido fiel barganhando despenca
A beata, que santa não é, de inveja se aperta
aos sete ventos abomina e com a alma admira
O sol que a ilumina queima suas melenas
O sorvete que derrete é o leite das crianças
O pano que veste sua pele é chita, apenas
E o olhar brilhando ao futuro, de esperança
Os ventos que batem não atingem lucena
A morena que bate no vento se vai
É mãe mulher é fera é Helena
Segue vendendo sorvete, a pequena
quinta-feira, 24 de junho de 2010
10
Para uma lágrima, o amanhã
Para o amanhã, um beijo
Para um beijo, um dia
Para um dia, um abraço
Para o abraço, o adeus
Para o adeus, o ontem
Para o ontem, felicidade
Para felicidade, tristeza
Para tristeza, uma marca
Para uma marca, uma história
Para uma história, um fim
Para um fim, uma música
Para a música, uma lembrança
Para a lembrança, um tempo
Para um tempo, um futuro
Para o futuro, uma icerteza
Para a incerteza, um risco
Para um risco, um acerto
Para o acerto, um erro
Para um erro, um recomeço
Para o recomeço, uma lágrima
Para a lágrima...
Para o amanhã, um beijo
Para um beijo, um dia
Para um dia, um abraço
Para o abraço, o adeus
Para o adeus, o ontem
Para o ontem, felicidade
Para felicidade, tristeza
Para tristeza, uma marca
Para uma marca, uma história
Para uma história, um fim
Para um fim, uma música
Para a música, uma lembrança
Para a lembrança, um tempo
Para um tempo, um futuro
Para o futuro, uma icerteza
Para a incerteza, um risco
Para um risco, um acerto
Para o acerto, um erro
Para um erro, um recomeço
Para o recomeço, uma lágrima
Para a lágrima...
segunda-feira, 17 de maio de 2010
09
Queria eu ter a inocência de uma criança que vê em tudo a novidade. A sabedoria de um ancião para não me sentir sem esperanças diante do caos. Vezenquando um adolescente rebelde sem causa que procura diversão em perigo. Quem sabe um adulto pacato que pagante de impostos e pedante com uma família linda e crédito na praça. Ah, e então, um fanfarrão que não se lembra do nome de quem acabou de sair de meu quarto. Queria tanto! Como queria, talvez, ser eu mesmo e não querer fugir de mim".
segunda-feira, 3 de maio de 2010
08
Bêbado vagabundo
Onde estás agora
Nos braços que esteve ontem
Onde acoitarás amanhã
Nunca atenuarão suas dores
Nem serão seus amores
Andas por aí bacanal
Banalizando o amor
Com o toque carnal
Fodendo sem pudor
Mas o que sente é dor
Que queres de mim
Não sei assim lidar
Um conto sem fim
Não presta contar
Tente só imaginar
Sinto-me um cigarro
Traga-me seu trasgo
Outra vez pode ser
É o destino talvez
Essa cena outra vez
Só mais um trago
Só mais uma vez
Da próxima eu paro
Me apago e vou
Te esqueço, forçado!
(Luiza Amaral)
Onde estás agora
Nos braços que esteve ontem
Onde acoitarás amanhã
Nunca atenuarão suas dores
Nem serão seus amores
Andas por aí bacanal
Banalizando o amor
Com o toque carnal
Fodendo sem pudor
Mas o que sente é dor
Que queres de mim
Não sei assim lidar
Um conto sem fim
Não presta contar
Tente só imaginar
Sinto-me um cigarro
Traga-me seu trasgo
Outra vez pode ser
É o destino talvez
Essa cena outra vez
Só mais um trago
Só mais uma vez
Da próxima eu paro
Me apago e vou
Te esqueço, forçado!
(Luiza Amaral)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
7.1
"Eu puxo, puxo e puxo mais forte e não consigo respirar, todo o ar se esvaiu absorvido pela extensa linha cinza sem-fim da estrada; estou nadando num vácuo ansiando por oxigênio, mas eu puxo, puxo e puxo mais forte e não consigo respirar. não posso mais viver sem tê-lo em meus braços, depois de tê-lo tido. parti meu próprio coração. Esta dor de perambular pelas ruas da cidade sem coração é a maior de todas as dores da minha vida."
sábado, 24 de abril de 2010
07
Sua voz doce me chamando ainda ecoa pela casa. A batida do seu coração ainda está cravada nas minhas costas. sua respiração ofegante ainda é audível, mesmo com toda a distância. Você deve estar em algum lugar da Grande Metrópole a essa hora Talvez cansado para pensar, talvez cansando de pensar, ou só cansado. Você vai continuar vendo os mendigos como pessoas amáveis, ajudando um idoso na rua, vai sempre estar sendo o anjo para alguém.
Seu sorriso ainda está ao alcance da minha visão e seu abraço ainda me sufoca de amor e carinho.
Seus lábios tímidos e, quase imóveis, continuarão puros depois de me beijar. Aqui, eu vou continuar entoando "califórnia" e sentindo falta do seu tom. Procurando você pra oferecer um trago do nosso cigarro, de longe, vou continuar sendo seu maior amante.
Sua música doce e singular ainda toca pela casa, e a ausência preenche minha casa de sua lembrança. As suas mãos, ainda,vão estar presas às minhas.
Mas, ainda que longe, vamos continuar cantando mais um copo de você e embriagando-nos de nós mesmos. Vajando pelo mundo sem sair de casa
E você deve mesmo estar pensando, agora nessa Grande Metrópole. Nós estamos longe, mas estamos juntos, afastados, e não, separados. Mas com um quinto de nós.
Seu sorriso ainda está ao alcance da minha visão e seu abraço ainda me sufoca de amor e carinho.
Seus lábios tímidos e, quase imóveis, continuarão puros depois de me beijar. Aqui, eu vou continuar entoando "califórnia" e sentindo falta do seu tom. Procurando você pra oferecer um trago do nosso cigarro, de longe, vou continuar sendo seu maior amante.
Sua música doce e singular ainda toca pela casa, e a ausência preenche minha casa de sua lembrança. As suas mãos, ainda,vão estar presas às minhas.
Mas, ainda que longe, vamos continuar cantando mais um copo de você e embriagando-nos de nós mesmos. Vajando pelo mundo sem sair de casa
E você deve mesmo estar pensando, agora nessa Grande Metrópole. Nós estamos longe, mas estamos juntos, afastados, e não, separados. Mas com um quinto de nós.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
06
"Desde que eu possa acordar no meio da noite e te levar um copo com água e você volte a sonhar profundamente, como um anjo,e ao acordar, quero te servir uma bandeja com pães e café-com-leite, te colocar de pé e ouvir a água do chuveiro jorrar sobre a sua pele de algodão. Quero te ver sair pela porta, segurando uma toalha enxugando seu corpo, que é meu também. Quero falar besteiras ao pé do seu ouvido e discutir filosofia e poesia. Quero ver os seus lábios grandes se abrirem e você sorrir".
05
Um corpo com duas cabeças
Dois tragos e estamos moles
Três semanas de porre
Quatro posições às avessas
Toquei violão e você ritmou
Dancei e você a me olhar
Sangrei vinho e você não bebeu
Meus erros pra você são crimes
Seus crimes pra você acertos
Meus olhos não vêem como os seus vêem
Seus braços não abraçam os meus.
há abraços
Dois tragos e estamos moles
Três semanas de porre
Quatro posições às avessas
Toquei violão e você ritmou
Dancei e você a me olhar
Sangrei vinho e você não bebeu
Meus erros pra você são crimes
Seus crimes pra você acertos
Meus olhos não vêem como os seus vêem
Seus braços não abraçam os meus.
há abraços
terça-feira, 10 de novembro de 2009
04
Estragando meu corpo com drogas fracas, ensaiando suicídio por motivos pequenos e procurando o sentido em ideias sem nexos. Criando doenças com dores que não doem e falando pouco sobre o que muito sei, querendo dizer muito sobre o que não posso saber. Assim, vivendo uma morte numa vida pouco vivida. Procuro amores onde não se pode amar e morrendo, aos poucos, de metade em metade. Fecho e abro feridas, simulando sentir para ver até onde aguento.
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